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Mulheres na Ciência

Professoras são minoria em seis grandes áreas do conhecimento

Homens dominam quadro docente, apesar da maior presença feminina entre pós-graduandos
Publicado: Terça, 01 Abril 2025 22:28 , Última Atualização: Terça, 01 Abril 2025 22:30 | Acessos: 35

As professoras são minoria em seis das nove grandes áreas do conhecimento reconhecidas pela CAPES. Nas duas em que as mulheres predominam — Saúde e Linguística, Letras e Artes —, o percentual não chega a 60%, enquanto a presença masculina supera os 70% em Engenharias e em Ciências Exatas e da Terra. A Fundação apresentou os dados em evento do Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos da Escola Nacional de Saúde Pública (CEENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quarta-feira, 26 de março.

Em relação ao quadro geral de pesquisadores, as mulheres são 44,8%. O cenário está assim posto ainda que no quadro discente, ou seja, dos pós-graduandos, o panorama seja o oposto: mulheres figuram em maior número em seis grandes áreas e são mais tituladas em nível de mestrado desde 1998 e, de doutorado, desde 2003. Vale ressaltar que a maior parte da pesquisa no Brasil se dá no âmbito das universidades públicas e, mais especificamente, na pós-graduação.

A presidente da CAPES, Denise Pires de Carvalho, disse que os dados, extraídos da Plataforma Sucupira, escancaram o “efeito tesoura”, nome dado ao corte à participação das mulheres em papéis de destaque na sociedade. “Ainda precisamos induzir que as mulheres, além de virarem doutoras, acessem a carreira de pesquisadoras e produzam conhecimento”, destacou a gestora.

O efeito tesoura se traduz em uma menor participação de mulheres em cargos gerenciais e de liderança e maior em áreas e ocupações de menor remuneração. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os ganhos mensais dos homens são, em média, 30% maiores. Com a interseccionalidade entre gênero e raça, fica evidente que há predominância entre homens brancos, seguidos, na ordem, por mulheres brancas, homens negros e mulheres negras.

A CAPES tem atuado nos últimos anos, ressaltou a presidente, para reverter esse quadro. Um dos caminhos são ações estratégicas, como a recriação do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento. Por ele, serão investidos R$ 600 milhões em ações voltadas a grupos sub-representados tanto na pós-graduação quanto na formação de professores de educação básica. Outro destaque é o Prêmio CAPES Futuras Cientistas, que reconhece, premia e estimula a atuação de pós-graduandas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharias e Matemática), as mais dominadas por homens.

Outra frente de atuação da Fundação enfatizada por Denise Pires de Carvalho foi a criação do Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero com suas interseccionalidades dentro da CAPES. Criado em 2024, o grupo se dedica, entre outros pontos, a promover a inserção das mulheres em áreas de Exatas e Engenharias, garantir equidade de gênero nas avaliações de pós-graduação, aumentar a representatividade feminina no meio acadêmico e em cargos de liderança do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG).

Com informações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

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