No dia 14 de março de 2025, celebramos os 111 anos de Carolina Maria de Jesus, uma das maiores escritoras da literatura brasileira, símbolo de resistência, voz dos invisibilizados e inspiração para a educação. Sua trajetória, marcada pela força e pela escrita potente, nos lembra da importância de dar espaço às múltiplas narrativas que constroem nossa sociedade.
Carolina teve uma infância difícil, marcada por privações. Frequentou a escola por apenas dois anos, entre 1923 e 1924, após uma filantropa viabilizar sua matrícula no Colégio Allan Kardec, em Minas Gerais. Essa breve passagem pela escola despertou nela um amor pela leitura e pela escrita que a acompanharia por toda a vida. Ainda criança, mudou-se para o interior de São Paulo, onde trabalhou na lavoura com a família e enfrentou situações de exploração que a obrigaram a fugir.
Na juventude, Carolina passou por diversas cidades em busca de oportunidades, até se estabelecer em São Paulo, onde viveu em extrema pobreza, tornando-se catadora de papel para sustentar seus filhos. Foi na Favela do Canindé que começou a registrar seu cotidiano em diários, expondo a fome, a miséria e o preconceito que assolavam a população favelada. Seus escritos chamaram a atenção do jornalista Audálio Dantas, que viabilizou a publicação de Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960), obra que rapidamente se tornou um dos livros mais vendidos do Brasil e foi traduzida para mais de 16 idiomas.
Para a formação de professores, sua história é um convite à reflexão sobre a inclusão, a justiça social e a valorização dos saberes populares. Carolina nos ensina que a educação vai além dos espaços formais e que a escrita é uma poderosa ferramenta de empoderamento. Seu legado nos desafia a construir práticas pedagógicas que reconheçam e respeitem as múltiplas vivências que compõem nosso país.
Em homenagem à sua importância, Carolina Maria de Jesus está eternizada em um painel de grafite na entrada do pavilhão de aulas do Centro de Formação de Professores da UFRB. O mural não é apenas uma representação artística, mas um símbolo de resistência, inspiração e compromisso com uma educação mais humana e plural.
Que a presença de Carolina siga ecoando na arte, na literatura e na formação de novos educadores, fortalecendo o compromisso com uma sociedade mais justa e igualitária.
Viva Carolina! Viva a educação! Viva a força da palavra!