A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) teve aprovado, em parceria com a Bahiafarma e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), o projeto “Probiótico para neuropatia diabética”, no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) — iniciativa do Ministério da Saúde voltada ao fortalecimento da produção e inovação na área da saúde pública.
O projeto, coordenado pelo professor Paulo Juiz, do Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (CETENS/UFRB) e pela professora Cristiane Villarreal (UFBA), busca desenvolver um probiótico oral destinado ao tratamento da neuropatia diabética, uma complicação do diabetes que afeta os nervos periféricos das extremidades, como mãos e pés. A proposta oferece uma alternativa terapêutica inovadora, segura e potencialmente acessível ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o professor Paulo Juiz, o grande diferencial do estudo está na abordagem probiótica voltada à modulação de processos neuroinflamatórios e oxidativos associados à dor neuropática. “Trata-se de uma formulação probiótica cuja administração diária foi capaz, em modelo experimental, de melhorar progressivamente as alterações de sensibilidade mecânica e térmica da neuropatia diabética, por meio da modulação de parâmetros neuroinflamatórios e de estresse oxidativo”, explica o pesquisador. Além disso, nos testes feitos em animais não foram observados efeitos adversos, o que abre novas perspectivas para o tratamento da neuropatia diabética, “visto que os fármacos de primeira linha usados para o alívio da dor não mostram resultados satisfatórios e apresentam efeitos adversos”, acrescenta Juiz.
Dos ensaio no laboratório ao pedido de patente
O desenvolvimento do produto é resultado de anos de pesquisa acadêmica. A formulação probiótica e os ensaios pré-clínicos in vivo já foram concluídos, demonstrando segurança, eficácia e definição de dose. O projeto avança agora para a etapa de estudo clínico em humanos, já aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, com previsão de início em 2026.
Além de seu potencial terapêutico, o projeto está associado a uma tecnologia protegida por pedido de patente em cotitularidade com a UFRB. O pedido é fruto do trabalho de doutorado da pesquisadora Alyne Lima, orientado pelos professores Cristiane Villarreal e Paulo Juiz. “Essa patente é o resultado direto da pesquisa que comprovou os benefícios da formulação probiótica, e a partir dela surgiu a parceria com a Bahiafarma e a submissão do projeto ao PDIL”, destaca o professor.
Parceria interinstitucional
A parceria entre a UFRB, a UFBA e a Bahiafarma se consolidou por meio de acordo de cooperação científica e tecnológica, viabilizando a submissão e aprovação da proposta no PDIL. De acordo com Juiz, “os recursos obtidos serão aplicados em estudos adicionais para comprovar a segurança e os benefícios do probiótico, além da elaboração do dossiê técnico-científico que será submetido à Anvisa”.
Para o pesquisador da UFRB, a aprovação do projeto reflete o compromisso da UFRB com a inovação e o desenvolvimento regional sustentável. “O Marco Legal de Inovação incentiva acordos entre universidades e empresas, que são importantes para que os produtos tecnológicos gerados nas instituições cheguem à sociedade. Essa parceria representa o compromisso da UFRB em devolver à população o investimento público recebido, e no caso do probiótico, trata-se do primeiro desenvolvido para o SUS”, ressalta.
O coordenador da Coordenação de Criação e Inovação (CINOVA) da UFRB, Nilson Weisheimer, destaca a importância do apoio da Bahiafarma — empresa pública de referência nacional na produção de medicamentos e no desenvolvimento tecnológico voltado à saúde. Segundo ele, a parceria fortalece o Complexo Econômico-Industrial da Saúde no Nordeste, promovendo a descentralização da inovação e consolidando o papel da UFRB como agente de transformação regional.
“O projeto reafirma o papel da UFRB como uma universidade comprometida com a ciência aplicada e o desenvolvimento sustentável, integrando pesquisa, inovação e impacto social no Recôncavo e em todo o país”, conclui Weisheimer.