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Setembro Amarelo

Setembro Amarelo: o sofrimento nem sempre é visível

 

Por trás da rotina, do trabalho, dos estudos e até de um sorriso pode existir sofrimento emocional. Informação, acolhimento e acesso ao cuidado ajudam a romper o silêncio e o estigma.

Há pessoas que continuam trabalhando, estudando, cuidando da família, convivendo socialmente e cumprindo compromissos mesmo quando emocionalmente não estão bem.

Por isso, diante de uma crise grave, de um afastamento do trabalho ou dos estudos, ou mesmo da morte de alguém, não é incomum ouvir frases como “mas parecia estar bem”, “continuava trabalhando normalmente”, “estava sempre sorrindo” ou “ninguém percebeu”.

Essas reações revelam uma percepção que precisa ser revista: o sofrimento psíquico nem sempre é evidente para quem está de fora. Aparência de funcionalidade, produtividade ou sociabilidade não é uma medida segura de bem-estar emocional.

Também não existe uma característica, comportamento ou diagnóstico que, isoladamente, permita concluir que alguém está ou não em risco. É justamente nesse espaço entre aquilo que vemos e aquilo que uma pessoa pode estar vivendo que informação, escuta e acolhimento ganham importância.

Setembro Amarelo: falar também é prevenir

O Setembro Amarelo mobiliza a sociedade em torno da prevenção do suicídio e da valorização da vida. O tema é uma questão de saúde pública mundial e deve ser abordado de maneira responsável, sem sensacionalismo e sem simplificação de suas causas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 720 mil pessoas morram por suicídio todos os anos. A própria OMS destaca que se trata de um fenômeno multifatorial, relacionado à interação de aspectos sociais, culturais, psicológicos, biológicos e ambientais ao longo da vida.

Isso significa que não é correto explicar uma crise ou uma morte a partir de uma única circunstância, como um término de relacionamento, dificuldade financeira, conflito profissional ou determinado transtorno mental.

Saúde mental acontece onde a vida acontece

Nossa saúde mental é influenciada pelas condições em que vivemos, estudamos, trabalhamos e estabelecemos relações. Dificuldades econômicas, perdas, violência, discriminação, isolamento, doenças, conflitos familiares e sofrimento relacionado ao trabalho podem aumentar vulnerabilidades em determinados momentos, sem que nenhum desses fatores, isoladamente, determine o que acontecerá com uma pessoa.

Da mesma forma, existem fatores de proteção: vínculos de confiança, relações sociais, ambientes seguros, acesso aos serviços de saúde, possibilidade de pedir ajuda e apoio familiar, profissional ou comunitário.

O autocuidado é importante, mas não resolve tudo sozinho. Saúde mental também depende de condições dignas de vida, acesso ao cuidado e ambientes que respeitem as pessoas.

Quando continuar funcionando não significa estar bem

O sofrimento emocional não possui uma aparência única. Algumas pessoas apresentam mudanças perceptíveis no comportamento, no sono, na rotina ou nas relações. Outras continuam aparentemente produtivas e sociáveis.

No trabalho, alguém pode continuar cumprindo horários e entregando tarefas mesmo enfrentando sofrimento significativo. Em outro momento, pode precisar reduzir atividades ou afastar-se para cuidar da saúde.

Um afastamento por motivo de saúde não deve ser tratado automaticamente como falta de comprometimento ou competência. Da mesma forma, queda de rendimento, ausências ou mudanças de comportamento não autorizam colegas, professores ou chefias a fazer diagnósticos.

A OMS reconhece que ambientes profissionais inadequados, incluindo sobrecarga excessiva, discriminação, desigualdade, insegurança e pouco controle sobre o trabalho, podem representar riscos à saúde mental. A prevenção, portanto, também envolve organizações capazes de identificar e enfrentar riscos psicossociais.

Universidade também é espaço de vida, trabalho e cuidado

A universidade reúne diferentes experiências. Estudantes podem lidar simultaneamente com exigências acadêmicas, dificuldades financeiras, relações familiares e afetivas, adaptação, pertencimento e incertezas sobre o futuro. Docentes, técnicos-administrativos, trabalhadores terceirizados e estagiários convivem com suas próprias demandas profissionais e pessoais.

Ninguém deixa sua vida do lado de fora quando entra para estudar ou trabalhar. Por isso, promover saúde mental também significa criar ambientes em que as pessoas encontrem informação, respeito, acolhimento e acesso aos serviços necessários.

Na UFRB

Em 2026, a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia instituiu sua Política de Promoção à Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho. Entre suas diretrizes estão ações relacionadas à promoção da saúde, segurança, desenvolvimento de pessoas, práticas de gestão, avaliação do clima organizacional e prevenção ao assédio e à discriminação.

Conheça a Política de Promoção à Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho da UFRB .

A Universidade também mantém uma Política de Enfrentamento aos Assédios e Discriminações, instituída pela Resolução CONSUNI/UFRB nº 27/2024.

Saiba mais sobre a Política de Enfrentamento aos Assédios e Discriminações .

Como acolher alguém que não está bem?

Não é necessário ser profissional de saúde mental para oferecer acolhimento, e também não cabe a familiares, amigos ou colegas assumir o papel de terapeuta.

Escutar sem julgamento, demonstrar disponibilidade, levar o sofrimento a sério e incentivar a procura de ajuda profissional são atitudes importantes. Frases como “isso é falta do que fazer”, “tem gente passando por coisa pior”, “pense positivo” ou “é só reagir” podem minimizar uma experiência que não conhecemos por completo.

Segundo o Ministério da Saúde, não existe uma “receita” capaz de identificar com segurança uma crise suicida. Eventuais sinais precisam ser observados em conjunto e dentro do contexto de cada pessoa.

Se alguém manifestar vontade de morrer, desesperança intensa ou intenção de se machucar, a situação deve ser levada a sério. A orientação é oferecer escuta, incentivar a procura de atendimento e, diante de perigo imediato, não deixar a pessoa sozinha enquanto se busca ajuda.

Onde buscar ajuda

Não é preciso esperar que o sofrimento se transforme em uma emergência para procurar cuidado.

  • SUS: Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) integram a rede pública de cuidado em saúde mental.
  • CVV, 188: apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia.
  • SAMU, 192: atendimento gratuito para situações de urgência e emergência.

Estudantes da UFRB

O Plantão Psicológico, desenvolvido pelo projeto de extensão Ocupação Psicanalítica Bahia, do curso de Psicologia do CCS, em articulação com a PROPAAE, oferece acolhimento, escuta qualificada e orientação à comunidade discente da UFRB. O serviço contempla estudantes do CECULT e dos demais centros indicados pela Universidade.

Saiba como acessar o Plantão Psicológico da UFRB .

Docentes e técnicos-administrativos da UFRB

O Serviço Psicossocial do NUGASST oferece acolhimento individual, orientação, encaminhamentos e apoio em situações de sofrimento psíquico e conflitos interpessoais relacionados ao ambiente laboral.

Conheça o Serviço Psicossocial da UFRB .

Informação também é uma forma de cuidado

Falar sobre suicídio não precisa significar falar de maneira alarmista. A comunicação responsável evita sensacionalização e explicações simplistas e dá espaço à prevenção, ao cuidado, à busca por ajuda e à possibilidade de recuperação.

Também precisamos aprender a falar sobre sofrimento antes que ele chegue a uma situação limite. Isso passa por reduzir estigmas, respeitar quem precisa se afastar para cuidar da saúde, não reduzir pessoas a diagnósticos e reconhecer quando é necessário procurar ajuda especializada.

Uma biblioteca universitária também participa desse processo ao promover acesso à informação confiável e aproximar conhecimento científico e serviços públicos da comunidade acadêmica e da sociedade.

Estamos construindo espaços nos quais as pessoas se sintam seguras para dizer que não estão bem?

Prevenção também começa por aí: substituir julgamento por escuta, silêncio por informação e isolamento por possibilidades de cuidado.

Nota de cuidado: esta matéria tem caráter informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento por profissionais de saúde. Se você ou alguém próximo estiver em sofrimento intenso ou em situação de risco, procure um serviço de saúde. Em uma emergência, acione o SAMU pelo 192. Para apoio emocional, o CVV atende gratuitamente pelo 188.

Texto: Lorena Hirsch | Assistência de IA na pesquisa e revisão editorial | Leitura interna prévia à publicação.

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